Drogas fazem parte do passado

Tenho hoje 37 anos de idade, nasci em dezembro de 1973. Até meus quinze anos de idade, fui uma criança e adolescente normal. Meus pais então me enviaram para uma cidade próxima a cidade onde eles moravam, para que eu estudasse em um colégio com melhores condições, para me preparar para entrar na universidade. O que era para ser uma benção na minha vida, acabou por se transformar em uma tragédia. Como eu estava em um local novo, sem conhecer ninguém, e pela primeira vez longe da família, me senti isolado, perdido, triste, sem amigos.

No colégio, todos tinham amigos, conversavam, estavam juntos nos seus grupinhos, e eu, isolado, não conseguia fazer amigos. A tristeza tomou conta do meu coração, a saudade dos meus pais e das minhas duas irmãs (mais novas que eu) aumentava a cada dia. Eu não via a hora de acabar a semana, para nos sábados após as aulas da manhã, pegar uma carona ou um ônibus e ir para a cidade onde meus pais moravam.

O ano passou, e as coisas não mudaram, mas me refugiei nos estudos, como não tinha amigos, me tornei amigo dos livros, ia constantemente na biblioteca da escola, fazia todas as lições propostas pelos professores e passei de ano.

No ano seguinte, ao fazermos a matricula, fui colocado em uma turma diferente, onde a maioria dos estudantes eram assim como eu de outras cidades que vieram para esta escola com o mesmo objetivo que eu tinha, de se preparar para a universidade. Como eram em sua maioria alunos que assim como eu não conheciam ninguém, pois eram de outras cidades, consegui então neste ano me sentir aceito, e fazer amigos.

Conheci então alguns colegas que estavam começando a experimentar cerveja e outras bebidas alcoólicas, e como saía com eles, comecei também a beber, e me sentir bem, aceito, feliz, eufórico. Comecei também a frequentar festinhas, onde a bebida era o chefe, o centro, tudo girava em torno das bebidas alcoólicas.

No mesmo tempo, estes colegas também estavam começando a experimentar um cigarro diferente, preparado artesanalmente, a maconha. Eles me convidaram algumas vezes, mas como sempre fui alertado por meus pais sobre o perigo das drogas, resisti alguns convites, mas como eu era um dos poucos da turma que ainda não havia experimentado, não resisti aos assédios e experimentei a primeira vez. Não aconteceu nada, então experimentei a segunda, terceira, várias vezes, até que um dia o efeito desta droga foi absorvido pelo meu organismo. Neste dia, que eu me lembro muito bem, até hoje, eu senti algo que nunca havia sentido até então, e na minha ignorância, falta de maturidade, fragilidade emocional, fiz desta droga um amigo por muito tempo.

 Só que quando se entra por este caminho de descobertas, nunca estamos satisfeitos, então experimentei lança perfume, uma droga muito usada no carnaval brasileiro, até que um dia alguns destes colegas me convidaram para experimentar uma outra droga, muito mais poderosa, devastadora, destrutiva, prejudicial a saúde: a cocaína.

Diferentemente da maconha, em que eu usei várias vezes até ela fazer algum efeito em meu organismo, esta última foi imediata, e com uma sensação muito mais intensa, pois na primeira dose, em que aspirei aquele pó branco, já senti uma euforia muito maior do que a que havia sentido com o álcool e com a maconha. Só que assim com foi muito rápido o efeito absorvido pelo meu organismo, da mesma forma o efeito passou muito rápido, e quando a droga acabou, um vazio, uma tristeza intensa tomou conta de mim.

Passei a ser a partir de então usuário destas três drogas: álcool, maconha e cocaína. Foram alguns anos neste submundo das drogas, dos meus 16 aos meu 20 anos de idade, neste período sofri duas internações, quando com 18 anos de idade, dois anos após ingressar nesta vida, já estava perdendo o controle da situação, e já não era eu que dominava a droga, mas ela havia tomado conta de mim.

Resolvi então pedir ajuda para as pessoas que mais me amavam nesta vida: meus pais. Em uma manhã de domingo, após ficar vários dias sem dormir direito, contei para eles o que estava acontecendo comigo nos últimos dois anos da minha vida. Eles imediatamente me levaram para um médico, que por sua vez me encaminhou a uma clínica. Fiquei internado 53 dias neste lugar, e quando saí, senti um vazio no meu coração, uma tristeza, um desânimo, não tinha vontade de fazer nada. Mas a vida tem que continuar, e eu voltei a estudar, agora o último ano do segundo grau. Mudei de cidade, mudei de escola, para iniciar uma nova vida, agora longe das drogas. Desintoxicado, voltei a estudar, e o velho problema de não conhecer ninguém, de não conseguir me enturmar, de passar os recreios de 15 minutos que para mim pareciam eternos. Só que comecei a observar que haviam alguns colegas diferentes, que saíam quando a aula estava chata e voltavam diferentes, e um dia, em que a vida para mim parecia não fazer muito sentido, me identifiquei com eles, e saí da aula, e fui usar drogas com eles. Neste momento desabou tudo sobre a minha cabeça, pensei nos meus pais, na decepção que eles iriam sentir quando soubessem desta recaída. Mas pensei, eles não podem saber em hipótese alguma.

O tempo passou, mesmo me drogando diariamente, consegui concluir o segundo grau, fui para casa, mas tinha levado comigo as drogas, pois usava diariamente. Meus pais desconfiaram então dos meus hábitos diferentes, e foram fazer uma revista nas minhas coisas e encontraram as drogas.

Fui então encaminhado para a segunda internação, agora advertido por meu pai de que seria minha última chance, pois eles já estavam cansados, pois a família sofre muito com um dependente químico. Fiquei internado 30 dias, desintoxiquei, meus pais vieram morar comigo, iniciei um curso de informática, já havia concluído o segundo grau, mas ainda sentia um vazio dentro de mim, como se a vida não fizesse sentido, e não sabia ainda o que fazer, o que estudar, que curso escolher. Tive alguns deslizes nas drogas novamente, mas eu estava mais cuidadoso pois além de estar morando com meus pais, havia sido advertido de que eles não tolerariam mais uma recaída. Mas ao mesmo tempo eu estava com medo, pois sabia que a qualquer momento isto poderia fugir do meu controle, e inevitavelmente tudo estaria arruinado.

Conheci então um amigo, no curso de informática. Uma prima e uma irmã dele estavam frequentando um local diferente, onde as pessoas aprendiam a respeito de Deus, de Jesus, da Bíblia, e eu fui convidado a ir a uma reunião. Quando cheguei neste local, imediatamente me senti aceito, pois todos vieram apertar a minha mão, alguns me abraçaram e me disseram que eu era bem vindo, que Jesus me amava e havia morrido por mim na cruz do calvário.

 Eu confesso que não entendi muito sobre o que eles falavam, sobre os versículos bíblicos que foram lidos, mas voltei na semana seguinte, pois havia me sentido bem, amado, aceito, e aos poucos a palavra de Deus foi penetrando no meu coração. Um dia aceitei a Jesus, senti algo no meu coração, parece que uma transformação estava acontecendo em minha vida. Me desfiz da coleção de revistas pornográficas que eu tinha no meu quarto, parei de beber álcool, saía com os jovens da igreja, fiz muitas amizades, estudei a Bíblia, comecei a entender o sacrifício de Jesus, e iniciei uma nova vida.

Ingressei na universidade, me formei, depois casei com minha esposa, tivemos um filho, agora estamos esperando nosso segundo filho. Vivo hoje uma vida normal, trabalho em uma empresa, sou membro da Igreja Batista Independente de Passo Fundo, somos líderes da juventude, e estou escrevendo este testemunho, resumindo um pouco do que foram estes anos da minha vida, dos 20 aos 37 anos, já se passaram 17 anos com Jesus. Recebi uma nova vida, um novo recomeço, e hoje posso dizer que sou feliz, que me sinto aceito, e mesmo que eu seja rejeitado, seja lá por quem for, sei que Deus jamais me rejeitará, jamais me abandonará.

Testemunho de Diego Caselani Vieira

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7 comentários sobre “Drogas fazem parte do passado

  1. Ai que lindo teu testemunho Diego, Jesus muda nossa vida por completo. Que bom que hj você está com a gente e é nosso líder. Abraço.

  2. Lindo depoimento, emocionante…
    Sinto orgulho de ser tua irmã e de hoje trabalhar com tratamento para dependentes químicos.
    Te amo
    Bjs Ilana

    1. Bem,”O que diferencia o remédio e o veneno é a dose”.
      Uso pó desde 1998, nasci em 73 .Só uso um ou outro final de semana.Estou frequentando a alguns meses uma igreja,sempre tive Deus ao meu lado. Consegui casa,carro filho e um bom emprego . Me afasto das amizades e não ando em bares. Só bebo em casa e aos domingos e ás vezes segunda e terça vou na IURD. Minha esposa é batizada mais não sei se é isto que quero pra mim …. E que Deus te abençôe Diego. Esqueça o passado.!!!!!!

  3. Ps: Estou deixando porque não me ajuda em nada e percebo que estou alimentando o crime. Assim como a bebida também.A bebida vai demorar um pouquinho. he,he,he. Tchau.

    1. Renato:
      Deus esta iniciando algo na vida da sua esposa e na sua também…pode ter certeza que o caminho é Jesus, e devemos aproveitar as oportunidades…o que temos de mais importante na vida é a nossa família…nossos filhos…quanto mais próximo estivermos de Deus, mais longe estaremos do pecado…usar drogas é pecado…fique nas paz…continue firme que Deus te dará a vitória completa…
      Diego.

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